terça-feira, 10 de julho de 2018

Reforma do ensino médio foi cortina de fumaça!



Em 2015 e 2016 fomos vítimas de um bombardeio de leis, projetos de Lei e decretos que mudaram ou tentaram mudar marcos legais em todas as áreas de nossa sociedade.

Golpistas foram efetivamente e o Congresso chancelando e dando corpo a esses ataques e guerra de choque, conhecido como Doutrina do Choque!

Um desses choques mexeu com as licenciaturas, tomou tempo e atenção de muita gente, quando a maioria já estava atordoada com outros ataques.

Eu era professor substituto na época e muitos estudantes chegaram a peguntar se valia a pena terminar a graduação. Eu disse que permanecessem, mas que o quadro era desalentador!

Houve debates, fóruns, jornadas e atos, assim como foram produzido artigos favoráveis e desfavoráveis e o modelo furreca se espelhava ou gostava de estar sombreado pela educação da Finlândia, exemplo total de liberdade de aprendizado focado no estudante.

Logo ou paralelamente houve o decreto da PEC do fim do mundo e finalmente sua aprovação.

Desde o início achei os 5 percursos ou linguagens seriam fracassos e não por discordar do princípio de liberdade e autonomia do sujeito, depois desconfiei do prazo de que tudo ocorresse em 2018 e finalmente ficou claro que com a 7 horas diárias obrigatórias que o ensino médio noturno ia desaparecer. E o estudante trabalhador Part Time de baixa renda não ingressaria no ensino médio.

As previsões que fiz era redução de quase 50% matriculados em ensino médio, fuga para escolas privadas e definitiva privatização do Ensino Médio!

A falta de grana para laboratórios, para refeitórios, para adequar as escolas era escassa, embora tivesse dito criarem um crédito específico para isso. Daria certo para cidade acima de 100 mil habitantes, mas para a maioria das cidades pequenas do Brasil iria virar um inferno de inconsistências, exigindo deslocamento ou fracassando os percursos curriculares.

Enfim cortaram os recursos do Pré-Sal e do orçamento vinculado para a educação!

Uma farsa aplaudida por estudantes que detestam a escolarização obrigatória e seus pais preocupados com mercado de trabalho e nada afeitos a entender a formação cidadã como ponto de partida.

Qual a utilidade de aprender raiz quadrada se vou ser historiador? 

Por quê aprender coisa inúteis que nunca vou usar!? 

Essas cantilenas que ouvem por ai há décadas e perduram como tradição de uma leitura da formação utilitária. Assim, criam advogados que não sabem direito, médicos que cuidam de doenças e não da saúde, gente que aprende informática por que não gosta de ler e outras bizarrices de viralatisse e indigência subdesenvolvida!

Bem, como eu imaginei em outros textos aqui, isso era a Doutrina do Choque sem qualquer compromisso!

E não vai avançar nunca com a PEC do teto ou do piso!







sexta-feira, 13 de abril de 2018

Padrão de Subsistência Mínima: Minha Liberdade começa quando amplia a tua! (Wagner Spagnul, 2016)




Este trecho de um livro dos irmão Goodmans nos provoca pensar sobre o que seria a necessidade de cada pessoa mínima para a sua vida.
Esta questão é colocada tanto para os comunistas, socialistas como anarquistas por produzir reflexões do que realmente se deve abrir mão para garantir a liberdade que notadamente vai obrigar a dizer se há um liberdade padrão mínima para todos. Se utilizamos a Frase de Wagner Spagnul: Minha Liberdade começa quando amplia a tua! Que é um revolução copernicana no pensamento moderno hedonista que restringe a minha liberdade onde começa a do outro! Ampliar a liberdade do outro é dolorosamente gratificante! Principalmente por não sabermos o que é sentir livre do outro!






Padrão de Subsistência Mínima 



Por Paul Goodman e Percival Goodman: in Communitas (1947). tradução precária


Qual é o padrão mínimo para que uma pessoa se sinta-se segura e livre e que não precise lutar para obter mais? O problema é sutil e difícil, pois, embora seja um problema difícil como o da saúde, pode ter uma  solução definitiva, como um problema psicológico e moral que depende da superação, e de quem é superado, e as próprias coisas estão sujeitas a alterações boas ou ruins.

O que é mínimo para um mesmo um agricultor do sudeste pode ser desprezado para um índio de Yucatán  (quem, como? Sempre tem outras satisfações a realizar).

Estamos falando sempre de uma tecnologia excedente. Esta tecnologia que pode fornecer todo o tipo de  coisas para todos também podem, de maneira diferente, produzir algumas coisas de poucos tipos acompanhados de um regulamento mínimo de tempo, arranjos de vida e hábitos. Qauantas pessoas estão seriamente empenhadas a dispensar coisas para ter a liberdade que elas também pensam querer?

Quando combinado com liberdade, um padrão mínimo seria muito menor do que o mínimo estimado em  nossa sociedade atual. Vamos dar um único exemplo. Na estimativa de Padrões mínimos de decência e segurança, Stuart Chase, por exemplo, considera indispensável para cada casa ter um rádio, emraão d integração social, especialmente durante uma guerra total. Uma pessoa deve ter comunicações instantâneas (e como desejável ter um caminho!). Mas se o próprio ponto de nosso padrão mínimo é libertar pessoas através de "integração” a rádio é uma conveniência que uma pessoa pode pensar duas vezes sobre ela. 

Outros exemplos de redução ao mínimo "necessário" poderiam ser considerandos como esforço de ter uma aparência decente ou sobre quantos contatos são necessários para se viver numa sociedade caracterizada pela competição.

Por outro lado, quando combinado com liberdade, nosso mínimo é muito maior do que existe em 
uma economia de escassez, por exemplo, a China, onde uma pessoa subsiste em tempo dividido entre 
o serviço para campo ou comuna (e esse padrão também, uma vez que inevitável, é socialmente 
aceitável). Mas se o próprio ponto de nosso mínimo depende de liberar as pessoas para uma escolha 
seletiva de como eles regularizarão seu tempo, mobilidade e independência da localização 
é indispensável.





sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Discordo da frase “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor. Paulo Freire


Não julgue uma minoria de canalhas pela maioria de pessoas dignas!
Os educadores desde Platão acreditam piamente que se há educação é para ser racional, ser racional pode levar à autonomia, sendo indivíduo autônomo, consciente, logo, não será opressor e será sábio provedor de justiça.

A educação pode ser libertadora e até revolucionária que não criará pessoas libertárias. Tal como a educação castradora não criou estritamente castradores. Se a educação castradora criasse somente opressores todo o mundo estaria em estado de guerra.

A crença exagerada nesta frase dá a entender que se se tentar fazer uma educação libertadora e ela de fato sendo libertadora, teremos pessoas libertadoras. Não podemos  ser levar isso a sério.

A frase tem um cunho cortante do conceito de alienação e coisificação da classe trabalhadora, mas como em geral, a classe trabalhadora sempre se revolta por pragmatismo, isso anula o conceito que é a consciência de classe que promove revoluções ou transformações sociais.

O desejo de oprimir e se libertar antecede a educação. Há pessoas que nunca tiveram nem acesso à educação castradora e são fiéis democratas e libertários de vanguarda. Há pessoas que aprenderam brincando, através do construtivismo e respeito ao outro, e sistema democrático e crítico e vira fascista.

Freire deposita muita responsabilidade no pretenso educador libertador. Pequenos Jesuses!

A maioria dos negros não é polícia nem bandido, é trabalhadora, honesta e solidária.
Tem-se no Brasil:
  • 726 mil presidiários no Brasil, que a maioria tende ser vista como a negra
  • 425 mil homens e mulheres como servidores da PM nos 26 estados do Brasil, cuja a maioria tende a ser negra, até mesmo no sul do Brasil.
  • 16,8 milhões (14,9%)  é a população negra  "declarada" do Brasil.

Resumo: nem 10% da população que se declara negra é bandida, polícia, gato, gerente de setor.....e os pardos...vou nem comentar por motivos óbvios de racismo institucional!

Os índices educacionais desse 16,8 milhões é baixa, as remuneração são os piores do Brasil e para as mulheres negras piores ainda tudo que imaginar....

Exemplo da qualidade altruísta da população negra: o maior número de adoções no Brasil é feito pela classe pobre, logo, a maioria é negra de pais adotivos. 

A maioria do nosso povo não é fascista, nem quer ser opressora e nas ações de solidariedade e irmandade são os primeiros a agir e proteger deserdados!

A maioria dessa população de enorme coração estiveram em escolas opressoras e continuam intactas em sua honra e bondade.

O sonho do povo só a ele pertence! E pelo visto é ser moralmente digno!

Observações
Tivemos mais  de 3 milhões pessoas de etnias diversas arrancadas do continente africano para o escorchamento físico escravagista* no Brasil. Desses, nem 50 mil chegaram a ser capitães do mato ao longo dos 300 anos de holocausto negro brasileiro! 


Para ser ordinário basta ser um!




*Usar a frase trabalho escravo é errado, embora pedagógico. Trabalho em nosso conceito moderno é um contrato de submissão voluntária, ainda que permaneça escorchante na maioria dos casos!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Merlí, Rita, 13 Razões para.... e o Extraordinário


Anarquismo x não anarquismo?* 

A Netflix traz produções de outros países e que ainda eivadas de americanismos  que podem oferecer ora uma visão local, ora uma visão universal.

Separei 4 produções que me fazem raciocinar que possuem uma coisa em comum, a escola, a educação, a sociologia da educação e os sujeitos desse processo, pais, mães, estudantes, entorno social, códigos sociais e doenças sociais.



Merlí é uma produção da Catalunha que possui ares de Sociedade dos Poetas mortos, mas ao fim e ao cabo é autoritário numa escola autoritária, com estudantes com valores morais confusos, narcisistas e pouco afeitos a qualquer colaboração cooperativa, também jovens autoritários. A libido de Merlí provoca uma mistura de asco e de admiração por oscilar entre a franqueza e a trapaça. Ao fim ocorrem superações como numa malhação ou filmes de sessão da tarde. As rupturas são conservadoras. O sistema educacional da Espanha é um misto publico e privado, mas o ambiente é de classe media com algumas pessoas de baixa renda, muito mais deslocados socialmente do que financeiramente. Merlí é considerado anarquista, mas não é!


Rita é uma produção Dinamarquesa com ares mais reais, fracassos como filme de Building (formação/superação). Ela fracassa com os filhos, com a vida afetiva, com algumas situações, mas é sempre combativa num ambiente hipócrita como na Catalunha. Um sentido de justiça que se faz a partir das falhas dos outros e de regulamentos que não se encaixam com a realidade. Todo ato dela é heroico e anti-heróico. A presença constante de um cigarro na mão e uma libido muito liberal e sem culpa é algo notável. A escola é um paraíso no que se sugere ao conceito de disciplina. Parece uma grande comunidade pacífica. Parece uma série para uma classe média resolvida da Dinamarca em que os problemas escolares são quase pitorescos e pontuais. Tachada como anarquista faz o filho desistir de ser punk no exato momento que o pai divorciado o faz perceber que sua mãe é o retrato da maior rebeldia que ele poderá alcançar. Rita quer uma escola justa, melhor e superar as crises econômicas, as reformas educacionais, as formações e reciclagens inúteis que são desagradáveis para uma professora do Condado em Pernambuco ou de outra na Dinamarca. Aliás, dizem que na Finlândia esse papo de reciclagem morreu há 10 anos, pois a formação de base forte e robusta tornou desnecessária com a obrigação e todos os professores terem mestrado. Rita não é anarquista, embora tenha ar de progressista, tanto Rita quanto Merlí são auleiros estimulantes. O preconceito, fofoca, puxadas de tapetes com certe elegância na Dinamarca e mais escrachado na Catalunha dão o tom de sistemas de pouca liberdade.



A série  “13 Reason why....” (EUA) migrou de apologia ao suicídio à prevenção de vidas e cada um que escolha. Todas essas escolas possuem o padrão valentão, sabido de informática, o atleta, o desprezado e as tribos excludentes e auto excludentes. Neste sentido a sociologia narcisista da Catalunha é até amorosa perto da escola estadunidense. Igualmente a Rita Merlí e Why...filhos únicos, pais egoístas e profundamente centrados na superficialidades que esses filhos cultivam sobre a vida. O fato de aqui o bulling e o suicídio estarem diretamente associados, quando isso nem é regra geral para definir o drama e nem explicar que o suicida jovem precisaria de bulling para cometer suicídio. A sociologia dessas escolas é de uma imposição e sociabilidade sem compaixão, forçada, sem verdade, hedonismo em medida tamanha que só esconde uma baixa autoestima generalizada. Por que se matar é quase uma revelação de que na escola estadunidense todos são suicidas sobreviventes.




O extraordinário (EUA) difere de todos esses no enfrentamento da sociologia escolar. A família possui elos afetivos mais nítidos e o medo do bulling é quase preventivo decorrente da estética do protagonista mirim. Ele é uma superação num sentido de romance de building, mas contém um elemento político que os demais filmes de escolas e educação não possuem. A criança não supera o bulling por razão e professores heroicos, por superações e valentia pessoal. Neste filme sem propósito anarquista acaba sendo o mais anarquista quando o diretor é obrigado a penalizar os pais provocadores da situação de preconceito nos filho. O filho que gerou bulling é teleguiado por pais ardilosos. Esse aspecto é até revelado em alguns desses filmes e seriados. Há até arrependimentos tardios. No entanto, chama-me a atenção para o fato de que o diretor se respalda na Lei de proteção à infância, sem bravatas é a política pública que protege o indivíduo da agressão social. Não se pode ter uma sociedade pautada em heroísmos e esforços individuais, mas pautados em normas, regras e ações concretas que independe da moral do sujeito. Não se pode ter bulling por regra e não por demanda. A política pública contra a tirania e não o indivíduo se defendendo da sociedade tirana.


* É sempre bom lembrar que o anarquismo não rege sobre falta de regras, mas sobre regras que não fazem falta. Uma sociedade sem hierarquia é socialista e o socialismo não age na lógica de que a minha liberdade termina aonde começa a do outro (esse é um pressuposto liberal burguês), mas a minha liberdade começa quando eu ampliar a liberdade do outro. 
Trocando em miúdos nas sociedades socialistas a auto-repressão é um exercício de ampliar liberdades e não delimitá-las. E dai que se confunde que a anarquia é ausência de poder. Anarquia é ausência de chefes, intermediários, escravos e da submissão e de submeter outros. Por isso a autonomia do sujeito, antes da revolução, processo antes da ruptura. 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Dobre a língua quando falar da educação da Finlândia!

..........Caneta corretora devia escrever ESCOLAS PRIVADAS TRAPACEIAM!

Em artigo do site Diário do Centro do Mundo (1) há matéria que discorre sobre quais são os pressupostos que fazem a educação da Finlândia ser reverenciado em todo o mundo por seus avanços.

Inclusive, a Paleo-reforma do Ensino Médio do Brasil foi lançada e utilizada a argumentação estar seguindo preceitos da moderna educação da Finlândia. 

A mídia corporativa apenas insinuou, mas não foi além do que  essas empresas do mercado educacional desejam.

A verdade da educação da Finlândia é:

  • O professor é um profissional que concorre para sê-lo!
  • O professor não é um acidente de formação de baixa qualificação!
  • Desde o ensino médio a carreira e ações dessas pessoas com interesse em docência são contabilizadas e consideradas!
  • Professores não sofrem avaliações e interferências externa!

Só que quando percebemos que as escolas privadas estão mais animadinhas com essa Paleo Reforma deparamos com matéria da Folha de São Paulo dizendo que as escaolas privadas utilizam da artimanha de fazer classe lebres para vitaminar seus escores no ENEM Nacional. As privadas fazem a seleção de um 3o ano robusto e expurga os com menor proveitamento para outras escolas. Faz a marca da escola para obter mais e mais matrículas.

Por essas e outras bandidagens é que devemos estar atentos com o jovens que são vitimas dessas comparações viciadas, anabolizadas e mentirosas.

Isso para mim equivale aos 50 milhões encontrados no partamento bunker de Geddel....afinal, como garantir educação pública com tanta trapaça!????

(1) http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-a-finlandia-esta-fascinando-o-mundo-com-seu-sistema-de-educacao/

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Educação e anarquismo no Brasil



Educação e anarquismo no Brasil e uma história é o capítulo que escrevi apagada faz parte de uma coletânea intitulada História da Educação Brasileira: Um Olhar Didático Ilustrado Com Charges (2017). organizada por Arilda Inês Miranda Ribeiro, Vagner Matias Do Prado, Jorge Luís Mazzeo Marian

Neste artigo eu discorro sobre algo melhor estudado por historiadores que percebem e localizam o papel dos anarquista na História da Educação nacional que foi apagada por pesquisadores da área. Um pouco por serem marxistas e um pouco porque a história da educação brasileira é muito recente e prefere não ir tão longe para ver as contribuições modernas que antecederam muito Paulo Freire no que tange a um escopo da pedagogia da autonomia, porém anti-estatal e radicalmente crítica.

A História também é um campo de disputa da narrativa...normal!


Sinopse

O presente livro é resultado de uma construção coletiva que objetivou elaborar um material de apoio didático capaz de possibilitar um primeiro contato com os diferentes períodos da História da Educação no Brasil. Os textos que o compõem, em sua maior parte, foram escritos por estudantes da disciplina História da Educação no Brasil, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", câmpus de Presidente Prudente-SP.
O grupo optou pela utilização de charges que pudessem ilustrar, de forma cômica e crítica, o pensamento educacional implementado em território nacional, seu desenvolvimento e suas contradições no que se refere à formação do povo brasileiro.Pensamos que os textos poderiam ser adotados como material didático em cursos introdutórios de História da Educação Brasileira, em nível de graduação, todavia todos os textos direcionam os leitores e as leitoras a referências científicas da área, não substituindo o contato com os autores e as autoras clássicas.O livro é composto por 12 textos.
A partir de sua leitura, os/as estudantes poderão ter uma visão geral de alguns dos principais períodos propositores de reformas educacionais, bem como das implicações socioculturais sobre o processo de escolarização no Brasil.Esperamos que os textos contidos na coletânea possam contribuir para reflexões sobre os diferentes períodos da história da educação no Brasil, de sorte a subsidiar novas iniciativas que problematizem os impactos históricos, sociais, culturais e políticos referentes ao sistema de ensino no processo de formação dos sujeitos que a ele são submetidos.



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Reforma ensino médio e golpe na juventude


Logo que a reforma do ensino médio foi exposta ao público eu me assustei com a adesão dos jovens e de pais.

Numa recente pesquisa da Fundação Abramo sobre como pensam os eleitores da periferia de São Paulo há um dado interessantes que algumas décadas não seria assim interpretada: as pessoas da periferia acreditam que através da educação pode ocorrer o progresso.

Em decorrência dos anos de valorização da educação com FHC, Lula e Dilma  generalizou e a ideia de educação como progresso que agora está bem enraizada. Saber qual educação, como e para quem é que ainda é confuso.

Quando leio  a Reforma do Ensino Médio, ela não parece sequer um remendo, mas a ideia que se vende é de adequá-la a ao interesse de futuro dos jovens e de seus pais.

Creio em algumas coisas de senso comum favoreceu aceitarem de bom grado isso, a saber:


  • Na escola se aprende muito pouco do que seria útil e necessário;
  • Na escola se aprendem coisas desnecessárias;
  • A escola não prepara a pessoa para sua carreira;
  • A escola do passado que era boa com seu rigor, cobrança e reprovação.
Essas ideias estão tão arraigadas e tão falsamente justificadas, mas a mídia e reformistas se colocaram muito bem ao comparar nosso sistema educacional com o da Finlândia. O nosso sistema passou de excludente a includente em 20 anos se entendermos o número de matrículas e a população em idade escolar. A classe rica e média é obrigada a seguir um currículo comum regido pelas leis federais, não fosse isso, fariam o que bem queriam.

Não houve respeito ao desejo de reforma que já vinha ocorrendo por entidades e especialistas, lançaram as medidas  com forte ideologia da praticidade e modernidade ao ter como pano de fundo a educação da Finlândia. O fato é que servirá muito bem para a escolas privadas que são mais dinâmicas nas adequações do que as públicas.

Os destinos dessa reforma são incertos, para além das críticas pedagógicas e ideológicas há nesse contexto de golpe a incapacidade de financiamento de adequação das escolas públicas estaduais ao que se pede. Cito algumas desses aspectos:

  • Governos Estaduais em cidades médias não conseguirão realizar a segmentação nas 5 modalidades de formação;
  • As cidades pequenas terão que criar redes para abrigar as 5 modalidades de formação, implicando em transporte e outras difculdades;
  • Jovens do ensino médio noturno perderão suas vagas;
  • Jovens trabalhadores deixarão a escolas por dificuldade da carga de 7 horas diária.
  • Não há recursos nos estados para montar laboratórios, bibliotecas e aulas práticas das 5 modalidades.
Esses são alguns dos eixos que não sendo cuidados e tratados deixarão muitos jovens fora do ensino médio ou fazendo o antigo ensino médio com nome de novo. A precarização das aulas, sua inutilidade e pouco impulso para uma educação superior fará com que os jovens com interesse em seguir cursos universitários recorram a outras estratégias, uma delas ingressar no ensino privado.

Os maiores prejudicados serão os estudantes pobres e de baixa renda que precisam de maior apoio e de maior atenção. A intenção parece ser dizimar os jovens da condição de concorrência às vagas em ensino superior de qualidade e remeter o máximo deles para empregos mal remunerados.