quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Anarquismo e envelhecimento digno - Projekt - A




Projekt A – Convívio intergeracional uma alternativa libertária para as pessoas idosas na Alemanha

Em 2008 conheci a proposta de um anarquista alemão Horst Stowasser (†2009)que estava desenvolvendo um projeto de convívio integeracional. Argumentava que muitos idosos militantes da esquerda libertária, situacionistas, anarquistas e simpatizantes que lutaram a vida inteira por outro modo de coesão social pelo respeito à liberdade do indivíduo e de convívio coletivo compartilhado estavam falecendo abandonados ou em isolamento provocado pela vida moderna ocidental.

Através de adesão voluntária não dogmatizada no anarquismo se a união para a aquisição de uma fábrica de mais de 300 anos de existência que entrou em decadência no pós guerra. A ideia central era ocupar simultaneamente os 5 edifícios reformá-los, agregando idosos e jovens com espirito comunitário libertário. 


Na Europa as comunidades libertárias ou “Okupas” já eram realidade para jovens, mas para pessoas que se aposentam e idosas restava o afastamento.
Os recursos vinham de doações, incubadoras de marketing e principalmente de um sistema de financiamento habitacional de baixa renda do governo. A proposta unidade individuais para os que necessitassem de reclusão parcial, temporária ou permanente, moradias de convívio coletivo e áreas de convívio geral. Decorria essa decisão por compreender que idosos nem sempre desejam interagir, não querendo dizer que desejassem o isolamento. Outra compreensão era a de que os idosos carecem de convívio intergeracional e que a maioria das pessoas tem um sonho singelo de ocupar um espaço pequeno, seguro e disponível ao convívio social digno na velhice.



Jovens trabalhadores ou desocupados com ideologia libertária e desejo de viver com os idosos entravam em processo de convívio por troca de moradia e ideologia coletiva, participando de uma comunidade, construído, fazendo funcionar um bar/ café, livraria e centro cultural. Lembro-me que ele indicou nunca entregar bares para anarquistas.

Outra anedota contada por Hörst era que numa passeata anti-fascista os grupos se organizaram em locais estratégicos, já que na Alemanhã há uma lei de que não se pode deslocar a 100m de uma manifestação oposta. Os membros do Projekt A - Eilhardsshof organizaram cidadãos simpatizantes que nunca tinha ido a qualquer manifestação ao longo de suas vidas para impedir o curso da passeata Neo-Nazista. Idosos que nunca se politizaram, nem sabiam o que era o anarquismo, nem isso era importante para Hörst, contavam-lhe orgulhosos de terem participado da ação.

Horst achavam importante a pessoa se agregar por ética e humanidade e não por filiação identitária libertária, pois ação direta anti-fascista era o elo central que importava e o convívio fraterno que surgido de uma relação anti-autoritária.
Alemão. Em 2010 com a crise, aumento dos valores dos materiais de construções e nos valores de financiamento o Projekt A - Eilhardsshof faliu e entrou num processo de insolvência e nem os recursos já investidos foram restituídos aos mutuários. Criaram um comitê de defesa, mas não leio alemão e não consegui pesquisar atualmente o que derivou dessa luta.

“A composição do grupo era diversa quanto as suas demandas de espaço. Por exemplo: ajovem família  preferia uma casa onde outras pessoas convivem com crianças desejam um apartamento maior, com muitos quartos e grande cozinha comunitária. O Neustädterin que são politicamente engajados preferem um único apartamento de uso individual com muitas pessoas nas proximidades, os amantes da música preferem um apartamento com sala de estar para fazer música juntos, o setor cultural quer uma grande biblioteca, onde às vezes se poderá realizar uma leitura pública, eo historiador tem um arquivo de literatura anarquista, que ele deseja tornar acessível e útil para o grande público.”

“Todos que ali conviveram tinham em comum: querer perceber sua própria forma de viver no grande quadro comum, sem qualquer outra pessoa determinando se eles estão vivendoemcasa de madeira ou PVC, e que é rico ou pobre. E eles querem apoiar-se mutuamente na sua diversidade e na sua capacidade para enriquecer com ideias, ajudar necessitados e protegê-los da solidão. O mais jovem é tinha 2 meses de idade, o mais velho 76 anos juntos há 30 pessoas.”

Abaixo alguns links úteis, fotos, textos e imagens para oferecer a noção do que foi essa iniciativa.

https://www.syndikat.org/de/gescheitert/




OUTRAS INFORMAÇOES



Projeto A "Eilhardshof"
Tradução google/blogueiro
Intergeracional tipo -libertário - Uma "investimento ético" no futuro social
Mesmo libertários não ficarão jovens para sempre. A dignidade para envelhecer em nossa sociedade, no entanto, é um luxo para poucos. A aposentadoria se toanr um gueto, sem alegria que se alonga dias e dias? Em Neustadt (Alemanha) na Rota do Vinho, esta associação "fez da necessidadee iniciou projeto de vida em prol da dignidade humana, da solidariedade e da vida auto-determinada, de ajuda mútua para pessoas de todas as gerações.

E, portanto, também uma resposta libertária para um problema social que afeta milhões e sob o risco de ocorrer uma explosão social nas próximas décadas: a vida na velhice. Longe de ser um "projeto senior" reúne mais de 30 precursores desde idade de 1 semana a 60 anos envolvidos num projeto de vida com entusiasmo e novas ideias.

Um estudo realizado pelo prestigiado ResearchInstitute Lazer (BAT) descreve que12% das pessoas na Alemanha tem como"sonho futuro" ter um quarto em uma casa "em que várias gerações têm o seu próprio apartamento e vivendo juntas em áreas comuns em todos os momentos, mas não precisam ter posse deste espaço."

Este sonho está rigorosamente distantes da a realidade dura dos aposentados.
Altos custos, isolamento social, empobrecimento - Isso é o que mais e mais pessoas citam as pessoas que vive essa realidade, para não mencionar as ameaças futuras.

Envelhecer com qualidade e dignidade tem se tornado a cada vez mais um luxo que poucos podem arcar.
A "Economia" é a medida de todas as coisas, assim,a pessoa torna-se um mero "capital humano".Sua vida deve ser definidasegundo o trabalho, isso, se dispor de algum. 

Em uma sociedade em que o isolamento e indiferença socialavançam, especialmente para  pessoas mais velhas perdem o seu "valor" viverão sedado ou deportados do convívio social.
Cedo ou tarde todos serão afetados essa condição, sendo uma sorte os que não adoecem,algo que não se pode contar. Tudo isto tem um enorme potencial social para uma alternativa emancipatória e anti-capitalista.

No entanto, projetos de vida e habitação cominspiraçõeslibertárias de têm sido até agora um domínio dos mais jovens em casas ocupadas ou comunas rurais. Na medida em que o projetoEilhardshof em certo sentido, realmente é "novo território" - que traz a questão da "idade" no discurso libertário, proporcionando uma resposta prática.

Uma propriedade ideal
Durante dois anos, procurou-se um imóvel adequado e finalmente uma oferta de compra foi efetivada para o "Eilhardshof" localizado nos arredores da cidade de Neustadt composto porconjunto de cinco edifícios de uma antiga fábrica, oferecendo ambiente ideal para os requisitos do projeto ser realizado. O "Eilhardshof" com seu grande parque cresceu ao longo de três séculos e foi abandonado nas últimas décadas. Antigos edifícios agrícolas, um moinho, estábulos e a mansão foram utilizados como moradia do proprietário da fábrica. Desde então procedeu-se uma restauração gradual desses edifícios e fazendo deles moradas de acordo com os desejos dos moradores com pequenos apartamentos, alguns compartilhados e áreas comuns.

No projeto os aspectos ecológicos são tão importantes como também há a preservação do patrimônio histórico. Um conceito de espaço c se destina a facilitar a mobilidade de cerca1.700 m2 como da sala de estar, atendendo o requisito de espaço de idosos ou geracional alterado.
Tambémforam construídas instalações adequadas para eventos culturais, reuniões sociais, iniciativas políticas e pequenas empresas (incubadoras), uma biblioteca, salas, oficinas e áreas passatempo e reunião.

O Eilhardshofsimplesmente não foi projetado para ser completamente fechada durante essa reforma, mas como um lugar vivo, onde as pessoas se encontram de todas as idades - não apenas aqueles que vivem lá. Sobre a atratividade social do projeto e do Centro de Documentação libertário deve ajudar "The Anarchiv" que teve depois de quase 35 anos de existência a inclusão de extensa biblioteca em 2005 (ver "Projeto A / Plano B", em :. GWR 304 / dezembro 05) e deve encontrar a sua localização final na Eilhardshof agora.


Um projeto social
O projeto Eilhardshof é membro do Freiburg "Mietshäusersyndikat" e compartilha os princípios sociais e éticos desta rede que foi organizado para compor projetos residenciais dos 30 existentes em toda a Alemanha. A crença do "sindicato" é - em suma –o de criarhabitação acessível, com auto-organização para pessoas de baixa renda. Isso deixa garantias aos moradores que podem regular seus assuntos de forma livre e autônoma com os objetivos sociais e partilha e solidariedade.

Por exemplo, asseguram-se que a propriedade - mesmo com valor acrescentado - permanece em propriedade pública e, portanto, o mercado imobiliário está permanentemente fora;  seguindo o princípio de construir todos os projetos exclusivamente em arrendamento, tornando entrada pessoal e a saída relativamente sem problemas, contribuindo assim para a surpreendente estabilidade der tais projetos por mais de 15 anos.
Um financiamento de solidariedade

O conceito de financiamento do modelo de Freiburg é construído sobre a graçada solidariedade - porque as pessoas que promovem tais ideias não pertencem naturalmente à sociedade rica. A diferença entre o patrimônio e o nível de investimento deve ser financiado também por meio de empréstimos - mas com uma diferença significativa: finanças "Solidarprojekte" por centenas de pequenos "empréstimos diretos", que são feitas por pessoas que acham a ideia boa e digna de apoio. Em razão disso a forma de "investimento ético" genuíno decorre de ser um empréstimo para uma boa finalidade social e traz consigo mais vantagens do que uma conta poupança. (E quem desejarpromover o projeto, deverá também dispensar seu interesse.) O reembolso regular é a partir da renda, nas atuais circunstâncias - como quando o credor fica em uma situação de emergência - por reescalonamento.

A idéia de empréstimos diretos é simples e provou-se por quase 20 anos em diversos projetos, como tal sólida que agora também "normais" ou poupança bancos atuam como parceiros financeiros - no passado este foi mais de um domínio, que é especializada em projetos alternativos GLS Banco ,
Cada projeto é profissionalmente acompanhado pelo seu banco e o agora avançado para profissionais de conselheiros experientes de Mietshäusersyndikats. E, de fato, nem um único projetos sindicato é ainda nunca deixou de problemas financeiros.

Nos 30 projetos já existentes que foram construídas com um investimento de 28 milhões de euros, mais de 850 pessoas vivem agora. Se isso não é um sinal de quanto grande pode ser movido quando muitos pequenos passos de solidariedade a uma visão forte juntos!
Horst Stowasser 


sábado, 9 de setembro de 2017

Ana Dundes chutou o balde e Chico Cesar nem soube!


Durante meu estudo sobre pedagogia anarquista em 2007 eu tinha dificuldades de saber se os professores eram transgressores ou anarquistas.

 Um dia Aninha me disse “que chutou o balde”. Dai minha pergunta a outros professores para entender a transgressão foi:

Conte-me um dia que vc chutou o balde?



Desde então eu consegui exatamente a resposta que eu queria dos professores.

Aninha havia preparado uma aula para uma turma de ensino médio que até as meninas eram arredias e até agressivas. As aulas não progrediam. O tema era população e ela decidiu começar com a canção Mamãe África de Chico Cesar. 

Contou-me que após ouvirem a primeira vez a canção as estudantes pediram para ouvirem novamente, depois outra vez e finalmente ela chutou o balde e a aula terminou com todos cantando a canção até então desconhecida. A aula foi uma audição.

Na semana seguinte a relação fria e até distante tornou-se boa e aprazível. As meninas se tornaram mais gentis e amigas.

O dia em que Aninha chutou o balde foi a chave da libertação do plano de aula em nome daquelas pessoas e naquele instante abriu-se um caminho pedagógico.

Numa era que o autoritarismo da educação recrudesce, escola sem partido, metas, empregabilidade, mercado de trabalho, criacionismo.....Aninhas estarão encarceradas.

Usar batom será crime!!!!


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Prática de ensino superior e o Método – faça o que vc quiser!



APERTA AÍ EM 
www.pensamentocrítico.com 
E Click em "respostas"!

Uma das maiores dificuldades de voltar para o ensino superior era como encarar a formação obrigatória.

A diferença do ensino fundamental é que se um pai ou mãe não coloca o filho na escola pode ser processados por abandono intelectual, mas um estudante universitário não é obrigado a cursar uma graduação. Ele precisa querer e tem que agir para isso!

Notei que uma das coisas mais difíceis de inspirar em um graduando é a pro-atividade no próprio conhecimento, pois muitos deles acreditam de fato que quem vai fazer avançar é um bom professor, com ótima didática e pedagogia incólume.

Na pedagogia anarquista o auto-aprendizado e autonomia do sujeito para busca do conhecimento é a chave para formar uma pessoa menos arredia ao saber e que aja diretamente empenhado consigo e respeitando o mesmo processo nos seus ambientes coletivos.

Reconheço que a maioria é fruto de uma educação constrangedora aonde o professor melhor era sempre o que forçava, exigia, pressionava, metia medo se opondo ao bom ou boa professora cândida, doce, afável e agradável, assim, o critério era a afetuosidade ou o grau de tirania que cada um se localizava. Num caso e no outro é a educação obrigatória que faz o professor se colocar num papel ou outro por sua insegurança de bonzinho ou carrasco.

A maior dificuldade do ensino superior é verificar estudantes e assessorar para que eles comecem a buscar livros, fóruns, grupos e situações que ampliem sua necessidade intelectual ou a que lhe caiba. É ele ou ela pegar um livro ou uma linha de pensamento e seguir.

O professor universitário, mesmo não desejando ser, representa um nível de violência simbólica, pois detém um conhecimento, uma bagagem de leitura e de discussão que o favorece diante de uma classe que tanto tem dificuldade de entender aspectos da teoria, como não acredita que o que está lendo está alterando a sua maneira de ver os fenômenos.

Óbvio que o conhecimento muda a maneira de ver amigos, familiares, políticos e a sociedade e ocorre uma resistência monumental em permanecer a mesma pessoa, não modificar e embora queiram um diploma para alguma finalidade, negam que a formação proativa mudará toda a sua forma de verem as coisas, isso, ainda que ao longo da vida não irá parar. A vontade de ser o mesmo joga um papel de resiliência negativa. Desejam mudar salário, dignidade, respeito, modo de olhar a vida, porém,  seguem um padrão conservador, das crenças, das ideologias, dos saberes acumulados em seus meios e da própria relação com o conhecimento.

Assim, o modelo de um professor qualificado na graduação é um que lê muito, coloca muitos textos à disposição e em geral os faça sentir anulados intelectualmente e reféns desse professor seguinte as suas exigências. Muitos professores de graduação se sentem bem nesse papel de exigir artigos, leituras, fichamentos e provas. Talvez tão apegados às suas disciplinas que a única coisa que um estudante de graduação tem que fazer é ler, digerir e ter um imenso mal estar de ainda assim se sentir burro.

Juntando resistência a mudar e a dos docentes esmerados em suas epistemologias, não há tempo para entender e estimular estudantes a quebrarem suas resistências e auto sabotagens contra o processo de auto didatismo. E parece que a maioria do professores uníssonos reclamam que fora seus grupos de pesquisas as classes são arrastadas por chicotes pedagógicos nas cobranças de leituras, debates e escrita.

Tentei mudar isso. Abri mão de seguir um receituário de textos. Deixei dois textos básicos à disposição. E pedi simplesmente que dentro do que eles compreendiam que a disciplina oferecia e como futuros que fizessem um projeto que tivesse coerência, prazer, curiosidade pessoal no tema. FAÇAM O QUE QUISEREM!

Apenas lhes garanti que ocorreriam duas provas escritas para eu diagnosticar como eles se expressavam em escrita formal e que seria muito exigente nessa análise, mas só daria nota a elas e as consideraria se pedissem individualmente, pois a mim interessava o trabalho.

No absurdo da explicação eu disse: Se decidissem fazer uma feijoada ou uma festa poderiam fazer, desde que explicassem e dialogassem a relação com a disciplina. Foram mais de 16 créditos explicando a liberdade pedagógica. Havia horas que percebi até dor em alguns estudantes. Ocorreram reclamações no departamento pelo linguajar e outras questões didáticas, mas o pavor consistia na liberdade obrigatória.

Para não obrigá-los a serem livres disse que se exigissem provas que lessem os textos e me exigissem a prova quando se sentissem necessitados desse modelo arcaico. Nesse período de experiência notei que pedir para fazer algo que desse prazer ou gostassem era quase ofensivo.

Sugeri a quem não quisesse aceitar a proposta que poderiam ir embora que eu daria a nota mínima. Sugeri que se quisessem só aparecer para apresentar o trabalho que eu não reprovaria por falta. A descrença, medo, desconfiança foi confirmada com a palavra APRESENTAÇÃO!

As aulas virariam encontros de orientação e nada sobre a disciplina como um todo. A partir dessa escolha e da orientação eles iriam escolher a forma de concluir esse trabalho. Eu intuía que muitos iam achar a lógica do seminário a melhor forma. Mesmo dizendo que poderia ser artigo, dinâmicas, atividades externas, teatro, festa e qualquer coisa que se sentissem bem.

Quando percebi que se avizinhava o fim do período eu fui obrigado a fazer um sorteio para que eles começassem a apresentar os trabalhos. Eis que o sentido de apresentar era aquele de fazer seminários. Tive que intervir e dizer que seminários era muito passivo e eu queria que as pessoas se mexessem e que isso não teria nenhum papel no exercício de docência futura estar parado na frente utilizando um Power Point sequencial.

Quando perceberam que a lógica do seminário não iria ter efeitos e que precisavam se envolver com o tema, começou outra fase de desconforto. Uma parte compreendeu desde o início a comunicar de diversas formas. A maioria foi só compreendendo na medida que avaliava as apresentações e práticas sugeridas.

Houve exposições guiadas sobre a condição dos idosos, história da pornografia, reprodução de chãos de fábrica e fabricação, dinâmicas com os estudantes, apresentação de miniaturas, apresentação de práticas de ensino reproduzindo exemplos das nossas aulas, pesquisas de campo, vídeos entrevistas e a práticas diversas.

Ocorre que a UEPB entrou em greve e tive que interromper esse processo e não sei o que será mostrado quando reiniciar as aulas. Tenho, pelo visto a impressão que consegui alcançar o objetivo, mas não posso dimensionar os efeitos. A fama de irresponsável correu corredores.

As disciplinas que orientei foi de geografia econômica e da população. Esta foi a primeira vez que tentei experimentar numa instituição formal alguns preceitos da pedagogia anarquista, sabendo que todo ensino autoritário apreendido ao longo da vida dessas pessoas ia ficar batendo e sendo confrontado, que a interpretação dessa prática ia ser mal vista.

No entanto, do período anterior para esse não terminado eu penso que tenha mudando ou favorecido  outra forma de eles entenderem o compromisso do aprendizado não pode partir de cobranças externas, mas da própria pro - atividade em sentido ao conhecimento.

As conclusões parciais é que mesmo sabendo do constrangimento e náusea e/ou desconfiança dos graduandos em relação aos docentes, que agir pela autonomia do sujeito pode doer em docentes zelosos e abscedidos/obcecados a ensinar. Viciados em ensinar, predestinados a ensinar, iluminados a ao ensinar e ultra auto exigidos ensinar, o que os faz sofrer violentamente ao abrir mão de suas vastas bibliografias extenuamente estudadas.

Tentar não ensinar é o que mais pode doer ou contrariar docentes que se sentem sagrados em suas disciplinas. Quanto a mim, despojei-me disso, pois o ato de estudar pelas próprias decisões é o único legado verdadeiro que uma pessoa com pós-graduação não pode fingir que desconhece.


PS: A resistência a mudar é grande e deve ser um esforço coletivo. Ao se forçar a liberdade os estudantes ainda inseguros tende a fazer o formal e rotineiro. Num ambiente aparentemente livre as regras invisíveis já estão estabelecidas. Professor fala, estudante assiste, professor reclama, estudante reclama e opressão oprimido ocorre como normal. Ao fim que se enfiei uma nota e siga o curso. A falta de autonomia dos sujeito cria um ambiente de trapaças e de falsas satisfações. O trabalho docente em geral é mediado por uma nota que pouco diz e é muito desejada, mais que o desenvolvimento pessoal. Perder essa ordem tanto da parte do professor como do estudante é quase criminosa...alguém tem que mandar....

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Paleo-reforma do ensino médio ... vc venceu!?


UNINDO O INÚTIL AO DESAGRADÁVEL

A Paleo Reforma do ensino médio é infactível, salvo se considerar que ela tem papel de reduzir matrículas, acelerar disponibilidade de jovens par ao exercito de mão de obra e por isso pressionar salários e finalmente ser para poucos definitivamente.

Do ponto de vista pedagógico ganhou força e popularidade entre país e estudantes decorrente do discurso que se aprende coisas demais na escola.

 Renato Janine comentou que o ensino médio ficou voltado para o curso superior e não para a formação do cidadão. E que não se entenda que Janine quer uma educação para pobre e outra para rico, mas apenas que há um ensino sem objetivo ou quando o tem é para o ENEM.

Na prática 41,9% dos estabelecimentos de ensino médio estão ocupados os 3 turnos, logo, não se expande para 7 horas diárias sem ampliar área de ocupação
 ou sem excluir jovens para o mercado de trabalho após a conclusão do ensino fundamental.


MAL REMUNERADO MAS FELIZ

Depois há 54,9% de professores que não possuem formação para a área que atuam, assim, os contratados para essa deficiência serão contratados como Profissionais de Notório Saber que passarão por uma complementação pedagógica. Um graduado em qualquer área poderá lecionar, desde passe por esse processo:

IV - profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino, para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação ou experiência profissional, atestados por titulação específica ou prática de ensino em unidades educacionais da rede pública ou privada ou das corporações privadas em que tenham atuado, exclusivamente para atender ao inciso V do caput do art. 36;
V - profissionais graduados que tenham feito complementação pedagógica, conforme disposto pelo Conselho Nacional de Educação.

Com as reforma da CLT esses profissionais todos pdoerão ser contratado com regimes temporários, afinal as disciplinas poderão ser ofertadas por módulos ou créditos específicos. A infactibildiade disso é que cursos de licenciatura pública terão que se adaptar a uma demanda para essa formação, mas o mercado educacional poderá certificar isso com mais rapidez.

5 CAMINHOS DA FELICIDADE

Em apenas 53% dos municípios do Brasil há ensino médio público ou privado o que trás um problema de ordem prática no que tange aos 5 Itinerários formativos, a saber:

I - linguagens e suas tecnologias;
II - matemática e suas tecnologias;
III - ciências da natureza e suas tecnologias;
IV - ciências humanas e sociais aplicadas;
V - formação técnica e profissional.

Pode-se  desconfiar que para alcançar os que pais e alunos querem de um currículo adequado à vida profissional futura que essas 5 formações não poderão ser ofertadas todas nesses locais. Como criar 5 itinerários formativos para uma carreira profissional sem laboratórios, equipamentos, métodos, espaço adequado, segurança contra acidentes,

EU VOLTEI PARA AS COISAS QUE EU DEIXEI...CURSINHOS

Tudo que é vendido como vantagem de opção, redundará em poucas opções caso os estados não consigam oferecer as 5 formações com qualidade por escola. Nos locais com maior dificuldade poder-se-á definir duas áreas e todos os estudantes terão apenas 2 opções ou migrar para outro município. No caso da formação técnica poderá ser igualmente restritivo.

A solução para isso é o ensino privado que fará pesquisas de mercado e oferecer os cursos com maior demanda par a classe que pode pagar, canalizando mais ainda os estudantes de maior renda para os cursos mais disputados.

A lógica do ensino privado e exclusão dos jovens de baixa renda dessa formação parece ser ao fim o objetivo dessa reforma.

Por que a páleo-reforma venceu?

Por que essa educação, mesma a que virá são capengas para a classe trabalhadora, são autoritárias, enfadonhas e descoladas desses jovens.

E por que vai perder?

  • Não há recursos para implementar esta paleo-reforma;
  • Aumento do desemprego vai reduzir matrículas em escolas privadas que vão quebrar;
  • O ensino-integral público tenderá a ser mais do mesmo sem qualificação e aprofundamento;
  • Não haverá opções como se propagou e surgirá decepções;
O ensino obrigatório e falta de contato com a realidade não serão superados, pois o simples fato de pais e alunos serem auto opressores ao empurrar pessoas tão jovens para formações canalizadas muito cedo é um campo de frustrações.

Na tentativa de reformar o antigo currículo autoritário, oferece mais autoritarismo ainda, só que com ares de mais liberdade.

Não vai se efetivar por falta de grana....mas com isso as escolas privadas fortes crescerão comendo as pouco competitivas e o ensino médio público vai ser mais farsesco que o atual.

E vamos ouvir....bom mesmo era no tempo do ENEM....

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Escolas estadunidenses: 13 razões para matá-las......


No Brasil há circuitos de moda e eu não resisti e vi um série que fala de suicídio de uma jovem estadunidense. Não vou publicizar, mas reconheço que me tocou profundamente. Jovens morrerem decorrente de tirania é demasiado!

Uma jovem encantadora começa a sofrer achaques até que comete suicídio.

Algumas coisas que a série revela de “longe” e eu chamo atenção:
  • Predomina a família nuclear de todos envolvidos um filho por casal, excetuando-se uma;
  • O sistema de educação tenta criar situações de comunicação e socialização que são ineficientes, dado ao individualismo em todos os círculos;
  • A vítima é tão solicitante de atenção de idiotas quanto os idiotas;
  • Amar e se relacionar é tão definitivo e fatal que não se relacionar significa o fim;
  • Todos devem ter um destino universitário que é oneroso e a educação superior estatal é repudiada, como se o que fizesse uma bom profissional fosse a marca;
  • Todos são vítimas das tiranias alheias e das próprias;
  • A escola não é algo relacional, mas desagradável;
  • Odiar é mais fácil que amar;
  • Os pais estadunidenses são demasiado conservadores, mesmo quando são casais gays;
  • despolitização de todas as questões substituida por um ambiente jurídico tirano.

A escola parece:
a) ter aulas de livre escolha e direcionadas para a profissão; 
b) ter diversas opções sociais, artísticas e intelectuais; 
c) há antendimento profissional em todas as áreas; 
d) atletas são beneficiados e a ideia de macho Alfa faz parte dessa sociologia; 
e) os loucos não possuem escape precisam se entrosar na tirania; 
d) lógica de castigo e punições são permanentes e aceitas; 
e) os jovens trabalham e estudam, mesmo sendo de famílias com renda suficiente;  
g) são puritanos moralmente e abestalhados sexualmente; 
h) ter carreira e destino divide fracasso de sucesso;
i) vigilância permanente, hipócrita, castradora e sem qualquer afetuosidade.

Num momento as escolas comemoram  as pontuações de um estudante no esporte e o protagonista fala: Acho que invertemos as prioridades!? Que descoberta!

O capitalismo cria mal estar, mas é a emoção que cobra dessas pessoas tudo que lhes é mais caro.

Os rituais da sociologia da escola são seguidos e são inescapáveis; 
Há o poeta, jornalista, atletas, músicos, cientistas.....todo um roteiro preciso e com cartas marcadas e rotuladas, mudando apenas os anos e as épocas, apenas  mantendo a mesma matriz sociológica por décadas na filmografia infato-juvenil estadunidense;

O que entristece nesse série é que vemos filmes estadunidenses há décadas e os dilemas das escolas e jovens estadunidenses continuam os mesmos: Os bailes, estudos em casa, ter carros....ir em festas e aprontar tudo que for possível, ter carro e seguir esses padrões.



Que bosta!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Palhaço Voador – Gabriel Mungo Tese anarquista faz mais sentido!




Palhaço Voador – Gabriel Mungo
Tese anarquista faz mais sentido!

Os que conhecem a história do circo contemporâneo conhecem o Circo Navegador de Luciano Draeta, mas eu conheço uma palhaço aviador. Brinco hoje com a história do jovem palhaço Beterraba, Gabriel Mungo membro do Circo Rosa dos Ventos do qual fiz parte por quase 4 anos.

Logo após defender a tese em Geografia eu fiz uma opção gradativa para o mundo das artes circenses. Contava-se de Gabriel que ele desejava ser palhaço desde cedo e no dia que viu os palhaços do Rosa dos Ventos ele grudou e não largou mais. Aos 13 anos já atuava e com força e talento.
A escola que ele frequentava o admirava , mas aos poucos a vida da estrada foi lhe roubando das aulas e por sua seriedade e gentileza foi se permitindo ele ir para essa vida. De algum modo, a escola o amava, mas ele não se dedicava.

Concluiu o ensino médio e já era profissional premiado e reconhecido. Na administração do grupo fazia parte da contabilidade, de envio de documentos. Era um profissional em cena e fora dela. 

Eu falava para ele não se preocupar com a universidade, pois o que adiantava fazer um curso só pelo diploma. Eu tinha saído de um processo forte da tese anarquista que ninguém deve ser forçado a aprender nada. O que chamam de não-diretivismo.

Um dia Gabriel começou a manifestar outros interesses. Um desses interesse era em voar. Ser piloto de avião. Para mim uma novidade já que ele decidiu ser palhaço muito cedo, muito dedicado e empenhado.

Eu não via confusão nisso, afinal, o palhaço Madureira saiu do mesmo grupo e se tornou bombeiro em Sta Catarina. E não era estranho. Aliás, nada na formação humana pode ser considerado estranho.

Só que já distante de Gabriel eu fui sabendo por ele e sua esposa Isabel que ele levou à frente o sonho de ser piloto. Começou com aulas Presidente Prudente e depois teve que ter aulas avançadas e saiu da sua cidade natal, também saiu do grupo de circo, casou-se tornou-se pai.


Um dia Isabel disse-me que não sabia que Gabriel era tão dedicado aos estudos. Ele que um dia na estrada começou a me perguntar sobre fordismo, socialismo e outros assuntos que se aprende no ensino médio, estava naquele momento estudando para ser aviador.

Eu sempre conversava com Gabriel nunca desconfiei da inteligência dele, mas jamais eu pensaria que tão rapidamente ele ia confirmar o que eu escrevi na tese e que retirei dos teóricos da Educação Anarquista: Uma pessoa só aprende quando decide aprender!

Gabriel é hoje um aviador iniciante...com o "abrevê" como chacoteavamos uns aos outros. 

Esta é a regra de todos nós.

Não adianta frequentar escolas, cursos, formações se a coisa não surge de dentro. Sabemos que todos tem isso. Que um dia decidem e quando decidem, aprendem e lutam para aprender. 

Hoje volto a ser professor e noto em minhas classes uma enorme esperança de que eu ou outros professores façamos essas pessoas serem professores.

Um dia, quem sabe....se decidirem!!!???